Linha 13-Jade da CPTM - Relatório Completo

O empreendimento

Uma ligação metroferroviária entre o centro da cidade de São Paulo e o Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos – Governador André Franco Montoro é uma demanda relativamente antiga. Nos anos 2000, duas ligações estavam em projeto: o chamado “Trem de Guarulhos”, o qual viria a ser a Linha 13-Jade da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), e o “Expresso Aeroporto”, também conhecido como Linha 14-Ônix[1]. Como este último projeto foi definitivamente abandonado (formalizado pelo Decreto nº 59.160, de 08 de maio de 2013), a ligação entre a capital e o principal aeroporto do país tomou a forma da Linha 13-Jade, anunciada em 2011 na sua concepção final e inaugurada em 31 de março de 2018. A linha promove a ligação sobre trilhos entre o Aeroporto de Guarulhos e a rede de trens e metrô da capital paulista, garantindo também a primeira ligação desse tipo de modal com o município de Guarulhos. As projeções de demanda, de acordo com a CPTM, indicam que a nova linha deve atender cerca de 120 mil passageiros (média/dia útil) no seu primeiro ano de operação e 200 mil passageiros (média/dia útil) no seu quinto ano de operação.

De acordo com a CPTM, a primeira fase do projeto da Linha 13-Jade consiste na implantação da infraestrutura de circulação ferroviária de 12,2 quilômetros de extensão, com parte do trajeto em superfície (4,3 quilômetros) e outra em elevado (7,9 quilômetros). São previstas duas novas estações – Guarulhos-CECAP e Aeroporto-Guarulhos – e a reconstrução da Estação Engenheiro Goulart, da Linha 12-Safira da CPTM, que fará a integração das duas linhas[2]. Serão construídas ainda 3 subestações e 2 cabines seccionadoras. O traçado aproveitará parcialmente a faixa de domínio ferroviária da Linha 12-Safira. Vale destacar que a construção da Linha 13-Jade também contempla a transposição sobre os rios Tietê e Baquirivú-Guaçú, das rodovias Ayrton Senna, Hélio Smidt e Presidente Dutra, e da Avenida Monteiro Lobato, já no município de Guarulhos. As obras são de responsabilidade do Governo do Estado de São Paulo, e os recursos orçamentários estão previstos no orçamento da CPTM. Quanto ao material rodante, o projeto previa a aquisição de 8 trens de 8 carros, com financiamento do Banco Europeu de Investimento (BEI).

Segundo o projeto original, os trens devem dispor de bagageiros e, na primeira fase do projeto da linha, o percurso seria entre as estações Engenheiro Goulart e Aeroporto-Guarulhos, com parada na Estação Guarulhos-CECAP. Também de acordo com esse projeto, seria construída na Estação Aeroporto-Guarulhos uma passarela com ligação ao Terminal 1 (antigo Terminal 4) do aeroporto, da qual sairia um transporte que percorreria todos os terminais do aeroporto gratuitamente para os usuários. O horário de operação previsto seria o mesmo praticado nas demais linhas da CPTM, das 4h à meia-noite. A previsão também era de que todas as novas estações teriam acessibilidade (elevadores, pisos podotáteis, comunicação em Braille, corrimãos e rampas adequadas) e escadas rolantes.

Além da conexão com a Linha 12-Safira, o projeto da Linha 13-Jade prevê a integração com o sistema sobre pneus, com a Rodoviária de Guarulhos, e com o Terminal Metropolitano de Taboão, também em Guarulhos.

Em 2016, segundo a CPTM, foram concluídos os estudos de inserção urbana, concepção técnica, operacional e elaboração de projeto funcional para as extensões da Linha 13-Jade, estendendo-a aos municípios de Guarulhos e São Paulo, o que corresponderia à segunda fase de implantação da linha.

Cronologia

Em 27 de abril de 2007, a Secretaria dos Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo abriu, em sessão pública, as propostas contendo estudos técnicos, econômicos e financeiros do projeto do então chamado Trem de Guarulhos. Em outubro de 2008 foi concluído o Estudo de Impacto Ambiental da Linha 13-Jade, com a requisição da Licença Prévia feita em novembro do mesmo ano. As audiências públicas foram realizadas em janeiro de 2009, tanto em São Paulo como em Guarulhos, e a Licença Prévia foi emitida em 24 de abril daquele ano.

Em novembro de 2011, foi publicado o edital para a contratação do projeto executivo da Linha 13-Jade. Na ocasião, a expectativa da CPTM era de que obras começassem em fins de 2012, com prazo de conclusão de 36 meses e valor total a ser investido de R$ 1,2 bilhão, sendo R$ 900 milhões orçados para a construção de trilhos, vias permanentes, elevados e estações, e R$ 300 milhões para a compra de oito trens e do sistema de sinalização. No início de 2012, a expectativa era de que a primeira fase do projeto fosse concluída no fim de 2014. Em maio de 2012, com a perspectiva de iniciar as obras ainda naquele ano, a intenção do Governo do Estado de São Paulo era de entregar a Linha 13-Jade até a Copa do Mundo de Futebol de 2014, a ser realizada nos meses de junho e julho daquele ano. Já em setembro de 2012, o presidente da CPTM admitiu que a linha só ficaria pronta após a Copa, visto que a perspectiva naquele momento, em meio ainda à discussão de detalhes da licitação e da determinação do local da estação do Aeroporto, era de que as obras fossem iniciadas somente em fevereiro de 2013, com prazo de conclusão de 18 a 24 meses.

No dia 08 dezembro de 2012, foi lançado o edital de pré-qualificação dos consórcios interessados na execução de obras e serviços de engenharia com fornecimento de materiais e equipamentos, tendo o Governo do Estado anunciado na ocasião que os contratos deveriam ser assinados em março de 2013, mês que marcaria também o início das obras, com prazo de conclusão de 18 meses. No dia 09 de março, foram anunciados os consórcios e empresas pré-qualificadas, mas a concorrência foi suspensa seis dias depois por um recurso administrativo apresentado por uma das empresas desqualificadas para executar a obra. A Licença de Instalação, por sua vez, foi requerida no dia 19 abril de 2013.

O processo licitatório foi retomado no dia 04 de maio, com o julgamento dos recursos administrativos. Novo recurso foi apresentado e a concorrência voltou a ser suspensa no dia 14 de maio. Retomada no dia 29 do mesmo mês, após julgamento do recurso, a concorrência avançou com a publicação do edital no dia 6 de junho. O processo teve a data de recebimento e abertura do envelope com as propostas dos participantes adiada três vezes, com o julgamento das propostas definido apenas no dia 20 de agosto. A homologação do certame licitatório ocorreu no dia 30 de agosto, quando foram divulgados os vencedores da concorrência para a construção dos quatro lotes da linha: o consórcio HFTS Jade, formado pelas empresas Helleno & Fonseca, Trail e Spavias (lotes 1 e 3), e o consórcio CST Linha 13-Jade, composto pelas empresas Consbem, Serveng-Civilsan e Tiisa (lotes 2 e 4). Quando da definição dos consórcios em agosto de 2013 (data-base), o valor total das obras civis dos quatro lotes estava orçado em R$ 1,1 bilhão.

Apesar da Licença de Instalação ter sido obtida em 13 de setembro de 2013 e dos contratos para a execução das obras terem sido assinados no dia 20 de setembro, com prazo de conclusão de 30 meses para todos os lotes[3], as obras começaram de fato apenas em 20 de dezembro de 2013, com nove meses de atraso em relação ao cronograma anunciado pelo Governo do Estado no ano anterior. No início das obras, o Governador do Estado justificou o atraso ao apontar a demora na obtenção de licenças ambientais, aprovações e desapropriações. Ainda com duração prevista de 18 meses, esperava-se a conclusão em meados de 2015, com investimento total de R$ 1,8 bilhão.

Em novembro de 2014, porém, o cronograma com o qual o governo trabalhava já trazia 2016 como o ano de conclusão da linha, dois anos de atraso em relação à previsão inicial. Mais um ano de atraso foi contabilizado em maio de 2015, quando o prazo de término passou para 2017. Em agosto de 2015, nova postergação constava no cronograma, com estimativa para fins de 2017, início de 2018. A falta de repasse de recursos por parte do Governo Federal foi apontado pelo Governo Estadual, na ocasião, como principal fator a justificar esse novo atraso. Vale registrar que naquele momento, em agosto de 2015, a Secretaria dos Transportes Metropolitanos ainda não tinha licitado a parte da linha referente a comunicações, energia e sinalização.

Com respeito às obras civis das estações, em 23 de junho de 2014, a Estação Engenheiro Goulart da Linha 12-Safira foi fechada ao público para início do processo de demolição do prédio e construção de uma nova e ampla estação, para atender a demanda das duas linhas.

Em 26 de janeiro de 2016, o Governador do Estado autorizou a publicação de concorrências para contratar os sistemas de sinalização, de monitoramento de vias e de telecomunicações da Linha 13-Jade, bem como o lançamento dos editais para a compra dos oito novos trens. De acordo com o edital, os trens teriam ar condicionado, vagão contínuo para ir do primeiro ao oitavo carro com o trem em movimento, câmeras de vídeo, maior motorização e bagageiros. A expectativa era de as primeiras unidades começarem a ser entregues em 2017. Como a licitação para o fornecimento dos 8 novos trens foi concluída apenas em dezembro de 2016, com o anúncio do consórcio vencedor da concorrência internacional, formado pela empresa chinesa Sifang e pela brasileira Temoinsa, com valor total de R$ 316,7 milhões, a previsão é de que os novos trens sejam entregues apenas em 2019. O contrato com o consórcio foi assinado no início de setembro de 2017, com prazo de entrega de 23 meses.

Em fins janeiro de 2016, foi dada a ordem de serviço para início do contrato de energia, abrangendo a elaboração de projeto e implantação de três subestações, cabine seccionadora, linha de transmissão e telecontrole de energia, ligado ao Centro de Controle de Operações. Com isso, todos os sistemas necessários para operação da linha foram contratados. Os projetos de implantação do sistema de energia de tração e telecontrole foram iniciados em fevereiro de 2016, enquanto que os que tratam da sinalização e telecomunicação foram iniciados apenas no final de 2016. De acordo com o Relatório da Administração de 2016 da CPTM, o avanço físico do empreendimento em dezembro desse ano era de 42,7%.

Em março de 2016, novo atraso é incorporado ao cronograma: a previsão para a conclusão da linha passa para janeiro de 2018, implicando em quase quatro anos de atraso. Além disso, o custo das obras civis sofreu acréscimo de R$ 101 milhões por meio da assinatura de dois termos aditivos com o consórcio CST Linha 13-Jade, responsável pelas obras dos lotes 2 e 4, em fevereiro de 2016. Com isso, o valor total a ser investido na linha passou para R$ 2,2 bilhões, sendo R$ 1,2 bilhão para as obras civis e R$ 340 milhões para a compra dos 8 novos trens. O novo atraso e o custo adicional foram, segundo o secretário estadual de Transportes Metropolitanos, provocados pela demora nos processos de desapropriação de imóveis e por ajustes em um dos viadutos da futura linha[4].

Em junho de 2016, houve novo aumento de custo, da ordem de R$ 92,6 milhões, decorrente da assinatura de mais dois termos de aditamento, referentes aos lotes 1 e 3, levando o orçamento total com a execução das obras para R$ 1,292 bilhão. Finalmente, em dezembro de 2016, com mais um termo aditivo, o valor das obras do lote 2 sofreu novo ajuste, de R$ 14,5 milhões, fazendo com que o custo total com as obras dos quatro lotes atingisse R$ 1,306 bilhão. Tendo como data-base a assinatura do contrato em agosto de 2013, a atualização corresponde a um aumento de 19% em relação ao valor inicial previsto.

No dia 04 de agosto de 2017, foi entregue pelo Governo do Estado a nova Estação Engenheiro Goulart, que voltou a atender à Linha 12-Safira, representando a conclusão da primeira etapa das obras da estação. Na segunda etapa, a estação ganharia uma nova plataforma para atender à Linha 13-Jade. Segundo informações divulgadas na ocasião, a conclusão desta obra civil e das demais nas duas novas estações da linha estaria prevista para o primeiro semestre de 2018, com a operacionalização da linha programada para o segundo semestre de 2018, conforme cronograma de início de 2017.

Em 22 de março de 2018, a CPTM realizou os primeiros testes com trens da série 9500 da sul-coreana Hyundai Rotem, mesmo modelo utilizado na Linha 7-Rubi. No dia 31 do mesmo mês, foi inaugurada a Linha 13-Jade, com 12,2 quilômetros de faixa ferroviária, duas novas estações (Guarulhos-CECAP e Aeroporto-Guarulhos), três novos bicicletários e uma passarela na Estação Engenheiro Goulart, em operação desde 2017 atendendo a Linha 12-Safira, e com a expectativa de transportar 120 mil passageiros por dia. O investimento total do empreendimento divulgado na ocasião da inauguração foi de R$ 2,3 bilhões, incluindo a compra dos 8 novos trens. A previsão é de funcionamento em Operação Assistida durante os primeiros meses, entrando em operação regular a partir do terceiro mês. Depois do quarto mês em funcionamento, está prevista a entrada em operação do serviço CPTM Airport-Express, que levará os usuários diretamente, sem paradas para embarque e desembarque, da Estação da Luz até a Estação Aeroporto-Guarulhos. De acordo com o Governo do Estado, o percurso será realizado em cerca 35 minutos e os trens partirão em 4 horários programados nos dois sentidos.

Recursos, financiamento e investimentos

De acordo com informações da CPTM em março de 2018, na ocasião da inauguração da linha, o investimento total na implantação da Linha 13-Jade foi de R$ 2,3 bilhões. Com relação às fontes e usos dos recursos, tem-se o seguinte detalhamento:

  1. Financiamento da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) no valor de R$ 1,1 bilhão (€ 300 milhões) para as obras civis e parte dos sistemas de energia, telecomunicações e sinalização;
  2. Financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no valor de R$ 430 milhões;
  3. Recursos obtidos junto ao Banco Europeu de Investimento (BEI) no montante de R$ 320 milhões (€ 85 milhões) para compra de oito novos trens;
  4. A contrapartida do Governo do Estado no valor de R$ 330 milhões.

Com base em informações da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo referentes à execução orçamentária e financeira/despesa, entre 2012 e 04 de julho de 2018 (data de referência para esta análise) foram investidos cerca de R$ 1,780 bilhão em valores correntes na construção da Linha 13-Jade, conforme apresentado na Tabela 1 a seguir. A tabela traz a evolução anual das despesas pagas pelo governo estadual, incluindo os valores referentes a exercícios anteriores a cada ano, para o grupo de despesa investimentos. O valor desembolsado com a execução de obras e instalações correspondeu a 86,4% do total no período, seguido pelos gastos com o gerenciamento de obras (7,5%) e com instalações (3,9%).

Tabela 1. Investimentos para a implantação da Linha 13-Jade: Valores pagos no ano corrente e de exercícios anteriores (R$ mil correntes)

Fonte: Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. *Com dados atualizados até 04 de julho de 2018. Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.

Observa-se na Tabela 1 a evolução crescente dos investimentos a cada ano, particularmente os valores pagos na execução de obras e instalações, em linha com a cronologia do empreendimento apresentada anteriormente, com as sucessivas alterações do cronograma de entrega da linha. Como discutido, a previsão original de conclusão da linha era em meados de 2014. Como ilustrado pela tabela, até aquele ano, apenas 5,0% do valor investido na execução das obras até julho de 2018 tinham sido desembolsados, sinalizando um prazo de entrega mais dilatado.

Indicador de andamento das obras e fatos relevantes

É possível acompanhar o andamento do empreendimento e o surgimento de atrasos por meio da evolução das metas físicas que constam da Lei Orçamentária Anual (LOA) do Estado de São Paulo. Aprovada ao final de cada ano, a LOA define as metas e os valores orçados para cada projeto a ser executado no ano seguinte. No caso da implantação da Linha 13-Jade, a Tabela 2 a seguir apresenta as medidas físicas de execução do projeto 2331 da LOA, o qual corresponde à expansão da rede metropolitana sobre trilhos com a implantação do trem ligando Guarulhos a São Paulo, englobando intervenções de inserção urbana, implantação de via permanente, de rede aérea, de sistemas de sinalização, de telecomunicações e de energia elétrica, bem como a construção de estações e de obras de arte e a aquisição de novos trens, dentro do Programa 3707 – PITU em Marcha[5], do governo estadual.

A tabela traz a meta anual da LOA e que equivale ao percentual de avanço físico das obras civis e sistemas da Linha 13-Jade esperado para aquele exercício. A terceira coluna da tabela apresenta a meta física acumulada de acordo com as informações das leis orçamentárias do período 2013-2018, as quais já incluem o referido projeto 2331 na lista dos projetos do Programa PITU em Marcha. Finalmente, a última coluna traz o chamado indicador de andamento das obras que busca quantificar o atraso do empreendimento em estudo.

Como é possível observar com base nos dados da Tabela 2, quando as obras de implantação da linha foram contratadas em agosto de 2013 e iniciadas em dezembro do mesmo ano, a meta estabelecida na Lei Orçamentária de 2013, aprovada em fins de 2012, era concluir 17,0% das obras da linha ao final daquele ano. Em 2016, a meta acumulada já superava os 100%, com 139,2% do empreendimento devendo ter sido entregues, o que serviria como a primeira indicação de atraso. Levando-se em conta as metas até a LOA de 2018, o indicador de andamento apontava atraso de 80,3% das obras de implantação da Linha 13-Jade.

Tabela 2. Meta física da Lei Orçamentária Anual – Implantação da Linha 13-Jade, 2013-2018

Fonte: Lei Orçamentária Anual (LOA) do Estado de São Paulo. *O indicador de andamento das obras é definido como a meta acumulada na LOA até o período em percentual, descontados 100%. Se a meta acumulada ultrapassa 100%, sabe-se que a obra já ultrapassou o tempo de entrega previsto nas LOA anteriores. Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.

Como apresentado na cronologia do empreendimento, o prazo original de conclusão era de 18 meses para a execução das obras e serviços de engenharia dos quatro lotes do empreendimento, quando da assinatura dos contratos em agosto de 2013, o que situava a conclusão das obras civis em meados de 2015. Com a previsão de inauguração da linha no segundo semestre de 2018, tem-se um atraso de cerca de três anos em relação à data do estabelecimento dos contratos e de quatro anos, considerando a expectativa inicial do Governo do Estado quando do início do processo de licitação da Linha 13-Jade.

O estudo “Responsabilidade com o Investimento – O problema da imprevisibilidade nas obras”, realizado pelo Deconcic-Fiesp em 2014 e atualizado no caderno técnico do 12º ConstruBusiness – Congresso Brasileiro da Construção em 2016, identificou um conjunto de obstáculos que respondem pelos atrasos observados em diversos empreendimentos por todo o país. Estes obstáculos foram agrupados em 8 diferentes temas. Dessa forma, é possível destacar os principais fatores responsáveis pelo descumprimento dos prazos de conclusão das obras de implantação da Linha 13-Jade:

Licenciamento ambiental

A demora na obtenção de licenças ambientais foi um dos fatores identificados que explicam os atrasos ocorridos no empreendimento. Por exemplo, quando foi anunciado o início das obras da linha ao longo do eixo da Rodovia Hélio Smidt, o então secretário estadual dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, destacou a dificuldade para a obtenção das licenças ambientais na área da rodovia em questão[6]. O secretário alegou que aquela seria a primeira vez que uma estrutura elevada, entre 8 e 10 metros de altura, seria construída próxima à cabeceira da pista do aeroporto, o que acabou gerando inúmeras discussões com diversos agentes, dentre eles a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e a Polícia Rodoviária Federal.

Ainda no campo ambiental, outro fator que retardou o avanço das obras foi apresentado pelo então presidente da CPTM, Mário Manuel Seabra Rodrigues Bandeira, em junho de 2014[7]. Segundo ele, as obras enfrentavam naquele momento um contratempo, visto que “no trecho da USP Leste, como é um trecho (terreno do campus) que tem uma contaminação muito séria, a execução (da obra) não é tão rápida”. Ainda segundo Bandeira, por determinação do Ministério Público e da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), a cada estaqueamento feito na área, é necessário coletar a água e a terra, encaminhar o material para exame e mandar para o Ministério Público e para a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), o que acaba prejudicando o ritmo das obras.

Burocracia e segurança jurídica

O avanço do empreendimento também foi prejudicado por questões associadas à transposição da Rodovia Presidente Dutra, visto que havia interferências de travessia junto às rodovias Ayrton Senna e Dutra que deveriam ser aprovadas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e pela Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp).

Vícios de contratação

Algumas questões relacionadas a problemas e imprevisibilidades no projeto prejudicaram o ritmo do empreendimento. Quando o projeto da Linha 13-Jade estava ainda em fase de estudo, o processo foi retardado pela indefinição quanto ao local em que seria construída a Estação Aeroporto-Guarulhos. O Governo do Estado queria que a estação e, portanto, o desembarque dos passageiros, fosse próximo aos antigos terminais 1 e 2 (atual Terminal 2 do aeroporto), os mais movimentados, com acesso ao Terminal 3, ainda em construção naquele momento. A concessionária que assumiu a administração do aeroporto defendia outra localização, próxima ao antigo Terminal 4 (atual Terminal 1), com a garantia de que assumiria a construção de um monotrilho interno que faria a ligação entre a estação da CPTM e os terminais do aeroporto, projeto este que não teve continuidade. Outro ponto associado ao projeto da linha também contribuiu para o atraso das obras. Como a Rodovia Ayrton Senna ganhou uma quinta faixa de rolamento em 2013, o trecho que passa sobre a rodovia precisou ser alargado.

Desapropriação e reassentamento

Em diversos momentos, o Governo do Estado justificou a revisão do cronograma de conclusão das obras da Linha 13-Jade pela demora nos processos de desapropriação dos imóveis em seu trajeto. Em março de 2016, por exemplo, o secretário dos Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, ao anunciar[8] a mudança de data de entrega da linha para 2018, afirmou que “o prazo tem relação com a demora das desapropriações e nós também tivemos o problema da não vinda dos recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)".

Recursos financeiros

Com a queda na arrecadação do Governo do Estado a partir de 2015 – resultado do agravamento da crise econômica enfrentada pelo país – o ritmo dos investimentos foi afetado, com impactos negativos sobre o andamento das obras em diversos setores, inclusive o de transportes, com redução dos recursos destinados à CPTM e à Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô). Esse contingenciamento dos investimentos acabou por afetar também os desembolsos para a implantação da Linha 13-Jade, situação agravada pelo não repasse de R$ 250 milhões em recursos federais, inicialmente prometidos no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), de acordo com balanço feito pelo Governador do Estado em diversas ocasiões. Em 2016, o Estado desistiu de contar com verbas federais para a linha em decorrência da demora dos repasses, buscando recursos junto ao BNDES como alternativa.


[1] No seu desenho original, essa linha consistia em um serviço ponto a ponto entre o Aeroporto de Guarulhos e o centro da capital e seria operado por um concessionário privado. Teria 28,3 quilômetros de extensão e a expectativa era de que o trajeto fosse realizado em 20 minutos. A empresa ou consórcio que assumisse a linha também assumiria o compromisso de construir a chamada obra bruta da Linha 13-Jade, que sairia da Estação Brás até o Conjunto Habitacional Zezinho Magalhães – CECAP, em Guarulhos, e seria operada pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

[2] Com relação ainda à Linha 12-Safira, segundo a CPTM serão reconstruídas também duas Passagens Inferiores (PI) da linha: a do Jardim Piratininga e a de Engenheiro Goulart, que permitirão a circulação de veículos e pedestres, da Avenida Assis Ribeiro ao Parque Ecológico do Tietê (PET).

[3] Neste prazo estão incluídos 18 meses para a execução das obras e serviços e 12 meses para operação assistida e conservação da vegetação arbórea.

[4] Fonte: “Trem até Cumbica sofre 3º atraso e fica R$ 101 milhões mais caro”. Jornal O Estado de S. Paulo, de 05 de março de 2016.

[5] Realizado pela Secretaria dos Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo, o PITU – Plano Integrado de Transportes Urbanos tem como objetivo desenvolver programas de implantação, expansão ou modernização do sistema de transporte metropolitano que atendam adequadamente as necessidades da população quanto a sua mobilidade, desenvolvimento socioeconômico e qualidade de vida.

[6] Fonte: “Guarulhos só terá metrô a partir de 2018”. Jornal O Estado de S. Paulo, edição de 10 de abril de 2014.

[7] Fonte: “Reformas na CPTM só devem acabar em 2016”. Jornal O Estado de S. Paulo, edição de 18 de junho de 2014.

[8] Fonte: “Trem até Cumbica sofre 3º atraso e fica R$ 101 mi mais caro”. Jornal O Estado de S. Paulo, edição de 05 de março de 2016.